Projeto Político Pedagógico (2022)

1.1 – O Projeto Político Pedagógico construído

O objeto de estudo desta pesquisa é o Projeto Político Pedagógico.Para tanto iniciamos o nosso questionamento perguntado o que é o ProjetoPolítico Pedagógico.

Romão & Gadotti (apud Padilha 2002:44) nos apresentam umconceito que possibilita muito mais um feixe de indagações do que de resposta

É preciso entender o projeto político pedagógico da escolacomo um situar-se num horizonte de possibilidades na caminhada, no cotidiano,imprimindo uma direção que se deriva de resposta a um feixe de indagações taiscomo: que educação que se quer e que tipo de cidadão se deseja, para queprojeto de sociedade? A direção se fará ao se entender e propor uma organizaçãoque se funda no entendimento compartilhado dos professores, dos alunos e demaisinteressados em educação.

O conceito de Projeto Político Pedagógico no sentidoetimológico do termo projeto vem do latim projectu – particípio passado doverbo projicere, que significa lançar para diante. Plano, intento, desígnio,empresa, empreendimento. Redação provisória de lei. Plano geral de edificação(Ferreira, 1975:144).

O projeto busca um rumo, uma direção. É uma açãointencional, com sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente.Por isso todo projeto pedagógico de escola é, também, um projeto político porestar intimamente articulado ao compromisso sóciopolítico com os interessesreais e coletivos da população majoritária.

É político no sentido de compromisso com a formação docidadão para um tipo de sociedade. "A dimensão política se cumpre namedida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica"(Saviani, apud Silva, 1997: 13).

Na dimensão pedagógica reside a possibilidade de efetivaçãoda intencionalidade da escola, que é formação do cidadão participativo,responsável compromissado, crítico e criativo. Pedagógico, no sentido dedefinir as ações educativas e as características necessárias às escolas decumprirem seus propósitos e sua intencionalidade.

Ao construirmos os projetos de nossas escolas planejamos oque temos intenção de fazer, de realizar. Lançamo-nos para diante, com base noque temos, buscando o possível. É antever um futuro diferente do presente. Naspalavras de Gadotti (1994:144):

Todo projeto supõe rupturas com o presente. Projetarsignifica tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar umperíodo de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em função da promessaque cada projeto contem de estado melhor do que o presente. Um projetoeducativo pode ser tomado como promessa frente a determinadas rupturas. Aspromessas tornam visíveis os campos de ação possível comprometidas seus atorese autores.

O significado de projeto compreende que vivemos numacivilização de projetos e que o vocábulo é utilizado em diferentes contextos esituações. É comum se afirmar que o projeto sempre existe ainda que nem sempreesteja necessariamente explicitado. A falta de explicitação propicia e asseguraa manutenção de atitudes autoritárias por meio de orientações prescritivas einstituídas. O projeto pode ser analisado em diferentes níveis: institucional,acadêmico (de curso) e de ensino-aprendizagem (pedagogia de projeto).

A fim de exprimir a especificidade do projeto, é necessárioconsiderar três pontos básicos:

a) O projeto tem uma dimensão utópica que significa, naverdade, o futuro "a fazer", uma idéia a transformar-se em ato. Oprojeto se compromete com o futuro. Santos sintetiza, com muita clareza, essadimensão ao afirmar que a utopia "(...) é a exploração de novaspossibilidades e vontades humanas, por via da oposição da imaginação anecessidade do que existe, só porque existe, em nome de algo radicalmentemelhor que a humanidade ter direito de desejar e por que merece lutar"(1997: 323). Nesse sentido, a utopia será sempre algo razoável num futuropróximo, algo a tornar-se possível.

b) O projeto, por ser uma construção coletiva, tem efeitomobilizador da atividade dos protagonistas. Quando concebido, desenvolvido eavaliado como uma prática social coletiva, gera fortes sentimentos de pertençae identidade. No plano afetivo, a construção do projeto apresenta efeitos mobilizadoresda atividade dos atores implicados, o que propicia compromissos eresponsabilidades educativas. A participação é um elemento político e atégarantia da execução e continuidade das ações. Vale reiterar que o projetopolítico-pedagógico não existe sem um forte protagonismo dos professores,pesquisadores, alunos, funcionários e a comunidade escolar em geral, sem queesses grupos dele se apropriem. Para tanto, teremos que usar os princípios daflexibilidade e da autonomia para desenvolver identidades mais distantes dapadronização burocrática que instituem e implementam projetospolíticos-pedagógicos próprios ou encomendados a terceiros.

c) O projeto é uma atividade articulada, decorrente dereflexão e posicionamento a respeito da sociedade, da educação e do homem. Oque da clareza ao projeto político-pedagógico e sua intencionalidade. Ela é umaproposta de ação política educacional e não um artefato técnico. Isso implica anecessidade primordial de distinguir o fundamental e necessário do secundário efortuito no processo de conhecimento, a fim de que o especifico da instituiçãonão se dilua e se perca.

O instituído e os instituintes são dois componentes quedevem ser trabalhados dialeticamente porque o instituído constitui referenciados novos que operam com o instuinte. E a partir do instituído que o projeto seconstrói como instuinte. Sem considerar o instituído criamos lacunas,desfiguramos memórias e identidades, perdemos o vinculo com a nossa historia(Gadotti, 1997:34). Assim, estabelecer relações com o instituído não édestruí-lo ou cristalizá-lo, mas inová-lo. É uma relação complexa uma vezinstituído – instuinte não são dimensões justapostas. São duas dimensões docomplexo processo de construção do projeto político-pedagógico.

Tornar-se instuinte, não significa negar o instituído dosespaços educativos que é a sua Historia, os seus métodos, o seu conjunto dosprofissionais e alunos, o seu currículo, a sua finalidade social. A relaçãoentre o instituído e os instuinte deve ser cultivada desde que se exerça umacompreensão do tempo como algo dinâmico e não linear e seqüencial. O projetopolítico-pedagógico instituído por decreto corre o risco de descaracterizar-se.A passagem do instituído para instituinte é um movimento de transição e ruptura(CNE, Parecer 15/98:59 apud VEIGA).

A instituição educativa é entendida como espaço-tempo dearticulação entre o instituído (lei, norma, regra) e instituintes (comunidadeescolar ou acadêmica), reservado a formação de todos os envolvidos no processoensino-aprendizagem desencadeando uma reflexão coletiva. Portanto, projetar eexplicitar solidariamente as intencionalidades e os propósitos dos sujeitosenvolvidos na escola.

(Video) Projeto Político Pedagógico e tudo que você precisa saber !

Partindo do pressuposto de que em todas as instituiçõeseducativas existe um projeto, mas encaminhado pelos órgãos centrais daadministração educacional, ou seja, é instituído. Por isso, ele não e refletidocoletivamente e, conseqüentemente, não representa a expressão, as aspirações enecessidades dos instituintes da escola. Esse projeto expressa as determinaçõeslegais e normativas do sistema.

É a partir do trabalho coletivo de todos os envolvidos queacontece o projeto político-pedagógico instituinte, o que ocorre à medida que:

(...) caracteriza-se por um processo permanente dereinterpretarão do passado à luz do presente. A hermenêutica [...] propõe aleitura da sala de aula, da instituição, das relações estabelecidas entreinstituídos, do currículo, do processo de ensino aprendizagem, do projetopolítico-pedagógico, a fim de compreender os sentido que ai se fazem presentese interagem (Meurer, 1998:106)

O projeto político-pedagógico é mais do que uma formalidadeinstituída. É a aproximação do que se pensa sobre a educação básica e superior,sobre o ensino, a aprendizagem, a produção e socialização dos conhecimentos, oaluno e o professor com a prática pedagógica que se realiza na instituiçãoeducativa. É uma aproximação maior entre o que se institui e o que setransforma em instuinte. A articulação do instituído com os instituintespossibilita a ampliação dos saberes.

A discussão em torno do projeto político-pedagógico cresceno momento em que o movimento dialético entre instituído e instituintes vemavançado e mostrando, cada vez mais, a necessidade de se tornar àescola/universidade, a sala de aula como espaço da pratica pedagógica,considerando-os como o ponto de partida, como o locus da inovação.

Esta compreensão implica a instituição educativa ter clarezade suas crises, da função social do ensinar e do aprender e do papel importanteda inovação. Assim, os projetos pedagógicos são as intenções geradas,refletidas e postas em ação por todos aqueles comprometidos com a preparação deprofissionais em condições de sempre atualizar seus conhecimentos e suashabilidades:enfim, de continuar, ao longo da vida pessoal e profissional, aformação adquirida.

Não podemos esquecer que o instituído de cima para baixo,portanto, um modismo ou uma inovação de cunho regulatório e técnico, tem queser transformado em inovação instituinte, emancipatória e edificante. E comesse movimento em espiral, entre o instituído e instituinte, teremos uma novaimagem da instituição educativa, procurando transformar em instituinte o quefoi instituído por meio de um processo transparente, participativo e legitimo.

O projeto político-pedagógico poderá, então, ser consideradonuma perspectiva em que seu desenvolvimento oscilará numa relação dialéticaentre o instituído e os instituintes. Centrando na escola/universidade, oprojeto pedagógico, desenvolve-se dentro de um quadro normativo-legal-institucionaldo sistema educativo, (...) numa relação de permanente negociação, impondo,por um lado, o seu reconhecimento e garantindo, por outro, a sua singularidade,adequação ao contexto em que se desenvolve a autonomia dos actores implicados (Carvalhoe Diogo, 1994:40).

Tanto o conceito de instituído como de instituintescolaboram no processo de entendimento de relações de permanente negociação.

1.2 – Princípios, objetivos e características do projetopolítico-pedagógico

A construção do projeto da escola exige a definição, segundoPadilha (2002), de princípios, estratégias concretas e, principalmente, muitotrabalho coletivo. Segue então, algumas das principais características, bemcomo alguns parâmetros para a sua efetivação.

a) Todas as ações que o autor propõe para a elaboração doprojeto político-pedagógico da escola relacionam-se com os primeirosnorteadores do planejamento dialógico, ou seja, esta nova maneira de entender oplanejamento da escola, que visa garantir a participação efetiva dos váriossegmentos escolares na construção do seu projeto e na elaboração de seusplanos. Além disso, visa possibilitar que alguns participantes deste processopossam representar a escola nos demais níveis de planificação educacional,previstas no movimento ascendente deste tipo de planejamento.

b) Sem esquecer que a preocupação maior da escola deve ser omelhor atendimento ao aluno, o projeto político-pedagógico deve partir daavaliação objetiva das necessidades e expectativas de todos os segmentosescolares. Deve ser considerado como um processo sempre inconcluso, portanto,suscetível às mudanças necessárias durante sua concretização.

c) O projeto deve proporcionar a melhoria da organizaçãoadministrativa, pedagógica e financeira da escola e também a modificação dacoordenação dos serviços, sua própria estrutura formal e o estabelecimento denovas relações pessoais, interpessoais e institucionais.

d) Ele deve ser elaborado em termos de médio e longo prazos.Contudo, cabe a escola implementá-lo a partir do iniciado e dando continuidadeao processo de planejamento. De acordo com suas condições reais e com suaspossibilidades, deve-se definir prioridades a curto prazo, partindo, logo quepossível, para as ações com vistas à sua implantação.

e) A reflexão sobre a prática pedagógica dos professores eas teorias que as embasam deve ser práticas contínuas na unidade escolar.

f) Garantir a avaliação periódica da ação planificada pararedimensionamento das propostas.

1.3 – O Projeto Político Pedagógico encomendado

(Video) Construção dos Projetos Político Pedagógicos (PPP)

O Projeto Político Pedagógico encomendado é uma estratégiapolítica geralmente utilizada pelos gestores, como diretores e coordenadorescom o intuito de manter o poder de forma autoritária, cumprindo apenas alegislação. É uma forma de abolir a participação de alunos, pais e comunidades.

É um ato contra a democracia, porque contraria o fundamentoprincipal do objetivo do processo político pedagógico que é a construção de umaproposta coletiva de trabalho, de responsabilização e de autonomia.

A encomenda do Projeto Político Pedagógico excluinecessariamente a gestão democrática e privilegia decisões – ações –administrativa – pedagógicas da direção. Portanto, inclui também adesvalorização do professor, pois, as ordens se efetivam de cima para baixotornando os demais professores, alunos e a comunidade em meros tarefeiros deatos coercitivos. Tem por objetivo sustar a reflexão e a possibilidade dagestação de uma proposta de educação participativa.

Na realidade os pontos acima levantados mostram asnecessidades dos gestores manterem a ideologia dominante como notaylorismo/fordismo, como nas fábricas onde os gestores pensam e ostrabalhadores executam. Uma divisão do trabalho onde separa-se os pensadores eos executores.

Na contramão do autoritarismo temos o planejamentodialógico. Como nos diz Padilha que o planejamento dialógico é

Uma forma de resistência e representa uma alternativa aoplanejamento autoritário, burocrático, centralizado e descendente, que ganhouas estruturas dos nossos sistemas educacionais e das nossas redes escolares. Éresistência porque não aceita a continuidade de um modelo estático deplanejamento, que não permite, em suas "estratégias", a participaçãode todas as pessoas envolvidas, frustrando as iniciativas históricas dasescolas e das suas comunidades. (2002:. 25)

Neste sentido, consideramos imprescindível apresentar resumidamente a seguir oque é planejamento dialógico de Paulo Freire segundo Padillha (2002).

1.4 – O projeto político-pedagógico participativo édialógico

Para se conceber a idéia de planejamento educacional é antesde tudo, segundo Padilha (2002) exercitar nossa capacidade de tomar decisões deforma coletiva. Mesmo porque, planejar não é uma tarefa fácil há muitasdificuldades, resistência, limites e obstáculos.

Embora já existam experiências inovadoras que foramvivenciadas que comprovam que a decisão e a iniciativa coletiva conseguemresolver problemas concretos da prática educativa que, num primeiro momentopareciam impossíveis de serem resolvidos, são essas experiências que nos animammostrar a visão de um planejamento para a construção de um projeto políticopedagógico da escola. Para tanto, deve-se viabilizar um sistema de comunicaçãoentre os diversos níveis de planificação e de administração educacional, deforma que as consolidações de cada etapa sejam acompanhadas por todos.

Se todos participam da tomada de decisões, deve-seestabelecer regras claras sobre como se dará essa participação, sobre como asdecisões serão tomadas e em que cada segmento poderá contribuir desde aconcepção do projeto até a avaliação e o replanejamento.

A participação de todos os segmentos escolares ecomunitários se refere às diferentes dimensões do trabalho escolar ecomunitário, passando desde às decisões financeiras/orçamentárias,pedagógicas/curriculares, ou administrativas/de gestão.

Quanto à participação de pais e alunos, pode dar-se naprogramação de atividades, na coordenação de eventos intra e extra-escolares eno estudo da realidade, devendo vincular-se principalmente aos colegiadosexistentes na escola, com o que estarão até mesmo consolidando a práticaparticipativa. A participação dos alunos deve ser garantida de acordo com aprevisão do Estatuto da Criança e do Adolescente, ouvindo-lhes em todos osassuntos que lhes dizem respeito.

Cipriano Carlos Luckesi (1994) em sua obra, "Filosofiada Educação", apresenta algumas reflexões sobre a participação do educandocomo membro da sociedade como qualquer outro sujeito, possuindo elementos que ocaracterize em suas atividades, sociabilidade, historicidade, praticidade.

Na relação educativa, dentro da práxis pedagógica, ele é osujeito que busca uma nova determinação em termos de patamar crítico da culturaelaborada, ou seja, o educando é o sujeito que busca adquirir um novo patamarde conhecimentos, de habilidades e modos de agir. É para isso que busca a escola.Ir à escola, forma institucionalizada de educação da sociedade moderna, não tempor objetivo a permanência no estágio cultural que ele está, mas, sim aaquisição de um patamar novo, a partir da ruptura que se processa pelaassimilação ativa da cultura elaborada. (...) hoje, exige a escolarização, comoinstância pedagógica. (1994: 117, 118)

Nessa perspectiva, entendemos que o educando não pode servisto como simples forma, como massa a ser informada, mas como personagem capazde construir-se, mediante as atividades, desenvolvendo seus sentidos,entendimentos, inteligência etc. sendo assim preparado para o exercício dacidadania tendo condições de se formar e se construir como cidadão em formaçãopara o exercício da autonomia, lendo, interpretando, participando ecompreendendo criticamente o mundo em sua volta, perguntando pelos fatos einterpretando e interpelando a realidade sempre que necessário.

Quanto à participação dos pais na vida da escola correspondea novas formas de relações entre escola, sociedade e trabalho, que repercutemna escola nas práticas de descentralização, autonomia, co-responsabilização,multiculturalismo.

Nesta perspectiva Libâneo, em "Organização e Gestão daEscola", destaca:

(Video) Projeto Político Pedagógico (PPP) | Pedagogia para Concurso

De fato, a escola não pode ser mais uma instituição isoladaem si mesma, separada da realidade circundante, mas integrada numa comunidadeque interage com a vida social mais ampla. Todavia, não tendo consenso entrepesquisadores e educadores sobre as formas concretas dessa participação, deforma delegada, na associação de Pais e Mestre (onde existir), no Conselho deEscola e outros órgãos colegiados que venha a existir (2001, p. 90).

Dessa forma, o autor afirma que na realidade concreta,todavia surgem questões não desprezíveis referentes à possibilidade de sínteseentre interesses e competências diversas, como é o caso da presença dos pais (eestudantes) em órgãos colegiados da escola. Nesse sentido não se pode ignorarque cada categoria de sujeitos componentes da organização escolar (professores,alunos, diretores, coordenadores, pais, funcionários) possui interessesespecíficos, implicando diferentes culturas e hábitos e diferentes visões dasquestões escolares como ao abordar problemas pedagógicos-didáticos os paispossam assumir uma atitude preconcebida de censura aos professores, num campoem que em que, a rigor, não são especialistas.

Resguardando o princípio da participação, será necessárioconsiderar que a escola tem funções sociais explícitas, objetivos próprios,projeto pedagógico-curricular, estrutura de gestão, formulados de formacoletiva e pública, dentro do critério do respeito aos papéis e competências.Isso significa que não se pode por em dúvida o espaço específico e autonomiados professores mas, por outro lado se estes forem o seu papel, sua dignidadeprofissional não ficará abalada com a discussão pública sobre o seu trabalho,já que o envolvimento dos pais é não só legítimo como necessário. Somente, aprática pode ajudar a esclarecer estes problemas, de modo a encontrar formas deacordo mútuo e de ajuda recíproca, melhorando a organização do trabalho escolare o trabalho dos professores em função da qualidade cognitiva, sociale ética doprocesso de ensino/aprendizagem.

Lembramos que os pais precisam realmente participar da vidaescolar dos seus filhos, umas das melhores formas é no processo de construçãodo projeto político pedagógico. Para que a proposta seja eficaz é precisoatraí-los. Sabemos que é uma tarefa difícil, pois estão acostumados a seremchamados somente para receber notícias – geralmente más – sobre seus filhos. Énecessário que a reunião comece sempre com uma atividade de sensibilização paraque sintam que a escola também é deles.

Alguns pontos que os afetam de perto deverão também serapresentados e discutidos, para que compreendam que aquelas ações estão sendodesenvolvidas pensando neles e para eles só assim, eles se sentirão valorizadose participarão da execução do processo de construção do projeto políticopedagógico e enfim, do seu desenvolvimento.

Já as associações de bairro, entidades comunitárias e asONGs podem contribuir em uma parceria com a escola, integrando suas atividadesàs atividades curriculares e extra-curriculares.

Os diretores da escola ou dirigente de unidade escolar e seuvice, são responsáveis pela coordenação de todas as atividades escolares, devemser capazes de "seduzir" os demais segmentos para a melhoria daqualidade de trabalho desenvolvido na escola. Isso significa, por exemplo,criar mecanismos e condições favoráveis para envolvê-los na elaboração doprojeto político-pedagógico da unidade, contando para esse fim com as diversasatividades de planejamento.

Para que o processo de construção do projeto políticopedagógico seja eficaz é necessário que o diretor coloque-se de fato a serviçodo pedagógico assumindo o seu papel na organização administrativa como líderpedagógico. Para que aconteça o envolvimento da turma, o diretor precisaestimular um ambiente democrático, pois é uma tarefa difícil, uma vez queaqueles que ocupam os cargos de liderança precisam aprender a aceitar novasidéias e críticas. Portanto, o diretor deve ser o articulador da propostapedagógica e além disso decifrar e compartilhar as informações contidas em leisque afetam o cotidiano escolar. Ressaltar as funções educativas de todos osfuncionários providenciar condições materiais e estruturais para que todospossam realizar seu trabalho. E, enfim, nesse momento de discussão definirtempo e espaço para que todos participem.

Administrar com uma visão democrática implica em saberouvir, contestar e ceder sendo que em meio às discussões podem surgir váriosconfrontos e soluções, pois as pessoas analisam de diferentes formas cadasituação. Portanto, cabe ao gestor definir problemas e identificar soluçõeslevando em consideração a opinião de todos.

O professor-coordenador ou coordenador-pedagógico é aqueleque durante o ano articula a equipe pedagógica em torno do melhor cumprimentodo que foi estabelecido no projeto político-pedagógico, coordenando seusdiversos desdobramentos em planos de curso, de currículo, de ensino ou de aula.Ele exerce uma responsabilidade da maior relevância durante todo o processo,desde a fase de organização das reuniões de planejamento das atividadespedagógicas da unidade escolar até a da execução, desenvolvimento e avaliaçãodo projeto da escola.

Durante o processo de desenvolvimento do projeto políticopedagógico é papel também do coordenador estar em constante busca em pesquisase bibliografias para orientar os professores na busca de soluções dos conflitosque vierem acontecer. Ouvir as queixas dos docentes e criar uma rotina dereflexão coletiva sobre as possíveis soluções. Além disso, estar em clima deavaliação das ações didáticas, organizar estudos e leituras que possam levar oprofessor a ter autonomia sobre a sua docência. Portanto, diretor ecoordenador-pedagógico devem desempenhar papéis diferentes que costumavam terem uma administração baseada em hierarquia.

O assistente técnico-pedagógico que, no dia-a-dia faz, juntocom o supervisor de ensino, a ponte entre as diretrizes pedagógicasestabelecidas pela Diretoria de Ensino e as unidades escolares, pode fazê-latambém quando da elaboração do projeto político-pedagógico e do planejamento.Ele pode ainda subsidiar a capacitação de todos os segmentos escolares para aparticipação no planejamento escolar.

Os supervisores de ensino são responsáveis pela apresentaçãodos demais segmentos das diretrizes gerais, sobretudo pedagógicas, e dar-lhesconhecimento sobre o próprio plano de trabalho da equipe de supervisão.Cabe-lhe ainda criar as condições institucionais da realização do projeto decada escola e participar ativamente do processo de construção e desenvolvimentodeste.

Conforme Santos (1997: 270,271), a renovação da teoriademocrática assente, antes de tudo, na formulação de critérios democráticos departicipação política que não confinem esta ao ato de votar. Implica, pois, umaarticulação entre democracia representativa e democracia participativa. Paraque tal articulação seja possível, é, contudo, necessário que o campo dopolítico seja realmente redefinido e ampliado.

Nessa concepção a direção da articulação entre democraciarepresentativa e a democracia participativa que se insere hoje o papel doprofissional de educação na escola.

A gestão democrática na escola, que compreende um modelo noqual a direção deve ser eleita pela comunidade escolar, se constitui num doscondicionantes da construção do Projeto Político Pedagógico.

A idéia de que a eleição direta para diretores das escolas éum elemento importante para a democratização das relações do cotidiano escolar,e pode contribuir decisivamente no debate e na formulação do Projeto PolíticoPedagógico. No entanto, a nossa prática nos leva à constatação de que o fato dese ter um diretor eleito na escola não significa necessariamente, que o ProjetoPolítico Pedagógico seja fruto da construção coletiva dos profissionais daeducação. Paradoxalmente, a realidade nos tem mostrado que em alguns casos emque as direções são indicadas, essa mesma construção se efetiva de formademocrática, tendo em vista a própria forma de organização do conjunto deprofissionais da educação da unidade escolar.

Vivemos numa sociedade que funciona basicamente de formahierarquizada. No mundo do trabalho há nítida separação entre os quedeterminam/ decidem e os que se limitam ao cumprimento das decisões.

(Video) PPP - PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO | AULA PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO - PPP

Braverman (1987: 53) afirma que nos seres humanosdiferentemente dos animais não é inviolável a unidade entre força motivadora dotrabalho e o trabalho em si mesmo. A unidade de concepção e execução pode serdissolvida. A concepção pode ainda continuar e governar a execução, mas a idéiaconcebida por outra pessoa pode ser executada por outra.

Enquanto profissional da educação é necessário que oprofessor conheça de fato o que está implícito na LDB 9394/96, o que dá suporteao professor para participar ativamente da construção coletiva de propostas quevenham fundamentar o Projeto Político Pedagógico, sendo assim possibilitarãodesfazer a dicotomia entre a concepção e execução do trabalho pedagógico nointerior do espaço escolar.

Para que haja participação na concepção de um planejamentodialógico, virtude fundamental do educador é não dicotomizar a teoria eprática. O papel de educador mediador é ajudar o educando a trilhar o caminhono sentido de melhorá-lo cada vez mais.

A participação dos professores está ligada não só àdefinição geral do projeto, mas também à definição dos planos de currículo, decurso e de aula que devem fazer parte integrante do projeto de cada escola.Tendo os docentes participado ativamente do planejamento escolar, eles estarãocomprometidos com ele e, principalmente, organizando suas atividades com baseno que foi decidido coletivamente. Eles terão uma direção estabelecida emconjunto com os demais segmentos escolares, o que facilitará seu trabalho edará maior ânimo ao exercício de sua atividade profissional. Cabe ao professorcolaborar em atividades que articulam as famílias e a comunidade, e que aescola deve informar os pais e responsáveis pelos alunos sobre a execução desua proposta pedagógica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para elaboração do Projeto Político Pedagógico éimprescindível que seja um processo democrático, participativo e dialogado.

Os principais agentes sociais construtores de tal projetosão: alunos, professores, diretores, coordenadores pedagógicos, pais ecomunidade. Todos esses segmentos apesar de serem portadores de anseios valoresobjetivos diferenciados devem ser ouvidos, terem direito de defesa de suasidéias através de processos democráticos construírem uma base mínima efundamental de objetivos a serem conquistados com metas e prazos a seremalcançados.

A crítica construtiva deve ser um instrumento permanente deavaliação e redimensionamento do Projeto Político Pedagógico, pois ele está emconstante movimento e permanente mudança, se faz com profissionais competentese comprometidos com a educação.

BIBLIOGRAFIA

CARVALHO, Angelina e DIOGO, Fernando. Projecto educativo.Porto, Portugal:Afrontamento, 1994.

GADOTTI, Moacir. Pressupostos do projeto pedagógico.In: MEC, Anais da Conferencia Nacional de Educação para todos. Brasilia-DF,1997.

LIBÂNEO, Jose Carlos.Organização e gestão da escola:teoria e pratica. Goiânia: Editora Alternativa, 2001.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. SãoPaulo: Cortez, 1994.

MEURER, Ane Carine. O pedagogo articulador dareconstrução do projeto político-pedagógico da escola: possibilidades elimites. Ijui: Editora UNIJUI, 1996.

SANTOS, Boaventura S. Pela mão de Alice: o social e opolítico na pós-modernidade. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 1999.

PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: comoconstruir o projeto político-pedagógico da escola. 2ª ed. São Paulo:Cortez; Instituto Paulo Freire, 2002.

PRESENÇA PEDAGÓGICA. Ano 43, jan. fev. 2002.

FAQs

Qual é o objetivo do projeto político pedagógico? ›

O Projeto Político Pedagógico, ou PPP, é um documento que garante a autonomia para as instituições de ensino em relação à proposta de orientação de suas práticas educacionais, estabelecendo os objetivos do ambiente educacional, podendo incluir desde a proposta curricular até a gestão administrativa no mesmo.

O que é projeto político pedagógico? ›

O PPP é o instrumento balizador para a atuação da instituição de ensino e, por consequência, expressa a prática pedagógica de uma escola ou universidade e de seus cursos, dando direção à gestão e às atividades educacionais.

Quais são os itens que compõem o projeto político pedagógico? ›

Segundo especialistas, a elaboração do PPP deve contemplar:
  • missão;
  • clientela;
  • levantamento de dados sobre aprendizagem;
  • relacionamento com a família;
  • recursos;
  • diretrizes pedagógicas — que envolvem: concepção metodológica, avaliação e currículo;
  • plano de ação — que é o desdobramento do PPP no Plano Escolar Anual.
22 Sept 2017

Como é feito projeto político pedagógico? ›

O Projeto Político Pedagógico (PPP), ou Projeto Pedagógico, é um documento que reúne os objetivos, metas e diretrizes de uma escola. Ele deve ser elaborado obrigatoriamente por toda instituição de ensino, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

O que não pode faltar em um PPP? ›

Descubra o que deve conter em um Projeto Político Pedagógico (PPP) | Escola da Inteligência
  • Identificação da escola. O passo inicial é identificar a escola a qual o documento se refere, criando o cabeçalho. ...
  • Missão. ...
  • Contexto das famílias dos alunos. ...
  • Dados do ensino-aprendizagem. ...
  • Recursos disponíveis.
4 Apr 2018

Quais são os três momentos que envolve a construção do PPP? ›

A construção do Projeto Pedagógico é um processo que compreende três momentos distintos e interligados: - Diagnóstico da realidade da escola; - Identidade da escola, decorrente do levantamento das concepções do coletivo; - Programação das ações a serem desenvolvidas pelo coletivo.

De quem é a responsabilidade de elaborar o PPP? ›

A responsabilidade pela emissão do PPP é: Da empresa empregadora, no caso de empregado; Cooperativa de trabalho ou de produção, no caso de cooperados filiados; Órgão Gestor de Mão de Obra – OGMO, no caso dos Trabalhadores Portuários Avulsos – TPA; e.

Quem faz o projeto político pedagógico da escola? ›

Quem deve elaborar o PPP escolar? O projeto político pedagógico deve ser elaborado de maneira colaborativa. Assim, cabe a cada escola decidir o modo mais eficiente de incluir toda a comunidade no processo de criação do documento. Há instituições que optam pela formação de um conselho que delibera sobre o PPP escolar.

Qual é o ponto mais importante para o desenvolvimento do PPP? ›

O que se espera da construção do projeto político-pedagógico é que haja autonomia da escola, que a mesma seja capaz de traçar suas metas e construir sua identidade. Isto quer dizer que se deve resgatar a escola como um bem de todos, lugar de discussão, da conversa, sempre focando no aspecto coletivo.

Como trabalhar o PPP em sala de aula? ›

3 dicas para montar o Projeto Político e Pedagógico da sua escola
  1. 1 – Conheça a sua escola. É muito comum que a direção assume uma escola seja imediatamente obrigada a elaborar um PPP para a vigência no ano letivo que se inicia. ...
  2. 2 – Conheça os seus alunos. ...
  3. 3 – Conheça a sua comunidade.

Qual a importância do PPP para o ambiente escolar? ›

O PPP é uma ferramenta que vai além do currículo escolar, trazendo os valores, a cultura, as crenças e as diretrizes de ação que devem orientar toda a comunidade escolar. Por isso, é fundamental que ele seja bem elaborado e sempre sirva como orientação para o cotidiano da instituição.

Como apresentar o PPP para os pais? ›

Apresente o projeto pedagógico para a família na escola

Dessa forma, tanto com a apresentação do PPP da escola quanto com a apresentação do espaço e da equipe escolar, os pais de seus alunos ficarão mais tranquilos e poderão tirar suas dúvidas e alinhar suas expectativas, princípios e objetivos com a instituição.

O que um bom projeto político pedagógico deve conter? ›

A elaboração do projeto pedagógico deve ser pautada em estratégias que deem voz a todos os atores da comunidade escolar: funcionários, pais, professores e alunos. Essa mobilização é tarefa, por excelência, do diretor. Mas não existe uma única forma de orientar esse processo.

Quais as características que um projeto político pedagógico deve ter? ›

Construindo o Projeto Político Pedagógico

Garantia do acesso e permanência, com sucesso, do aluno na escola; Gestão democrática; Valorização dos profissionais da educação; Qualidade do ensino; Organização e integração curricular; Integração escola/família/comunidade; Autonomia.

Como a equipe pedagógica pode orientar o professor através do PPP? ›

Tomando como base o projeto político-pedagógico, pode-se compreender todo o funcionamento, a estrutura, a metodologia e a prática pedagógica, enfim, tudo o que pode e deve ser esclarecedor para o bom entendimento quanto à estrutura e o funcionamento da escola, tanto por parte da comunidade e especialmente pelos ...

O que significa a sigla na no PPP? ›

Caso o trabalhador não esteja enquadrado como Beneficiário Reabilitado ou como Portador de Deficiência, o campo deve ser preenchido apenas com a sigla “NA” que significa não aplicável.

Quando a empresa não fornece o PPP correto? ›

Qual a consequência para a empresa que não entregar o PPP? A consequência para a empresa que não entrega o PPP na rescisão de contrato pode ser a de uma multa. Assim, os valores variam de acordo com a gravidade ou com a atualização anual, que pode ser entre R$ 2.331,32 e R$ 233.130,50 em 2021.

Qual é o ponto mais importante para o desenvolvimento do PPP? ›

O que se espera da construção do projeto político-pedagógico é que haja autonomia da escola, que a mesma seja capaz de traçar suas metas e construir sua identidade. Isto quer dizer que se deve resgatar a escola como um bem de todos, lugar de discussão, da conversa, sempre focando no aspecto coletivo.

Qual o papel e a importância do projeto político pedagógico PPP dentro da gestão escolar? ›

Também conhecido como projeto pedagógico, o PPP é uma espécie de mapa que serve para guiar a instituição a crescer e melhorar sua qualidade de ensino. Assim, o Projeto Político Pedagógico deve levar em consideração o contexto em que a escola está inserida e fatores específicos da comunidade escolar.

Quais as características que um projeto político pedagógico deve ter? ›

Construindo o Projeto Político Pedagógico

Garantia do acesso e permanência, com sucesso, do aluno na escola; Gestão democrática; Valorização dos profissionais da educação; Qualidade do ensino; Organização e integração curricular; Integração escola/família/comunidade; Autonomia.

Qual é a importância do projeto político pedagógico para a gestão democrática? ›

Numa perspectiva de gestão democrática, o processo de elaboração e execução do PPP possibilita à escola organizar seu processo pedagógico de forma participativa, envolvendo todos os atores do processo educacional, na busca de soluções para os problemas inerentes à gestão pedagógica.

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1. PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO PPP
(Professor Davi)
2. PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO
(Conhecimentos Pedagógicos)
3. O que é o Projeto Político Pedagógico (PPP) ? | Pedagoga Concurseira
(Pedagoga Concurseira)
4. LIVE 173: Concepção e construção PPP na/da escola básica: uma proposição em movimento(s)
(Web TV Undime Bahia)
5. D-27 - Projeto Político-Pedagógico
(UNIVESP)
6. Roda de Conversa - Tema: Projeto político Pedagógico - Parte 1
(magistraseemg)

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Author: Amb. Frankie Simonis

Last Updated: 10/28/2022

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